Dia ... de conversa ...
Conversa de uma Borboleta com uma Fada ...
Enfim ... ela encontrou alguém que entendeu exatamente o que ela sentia...
Poucas pessoas entendem o que se passa no coração irreal...
(...)
** diz:
querida
**diz:
como está?
[***] diz:
estou bem.... foi bem estranho o não amor...
** diz:
que houve?
[***] diz:
mas disse minha amiga que não é triste esquecer...
[***] diz:
o casamento lembra?
[***] diz:
que eu encontrei meu passado
** diz:
sim
** diz:
e então?
[***] diz:
então eu acho que esqueci foi estranho era como se eu visse outra pessoa...
[***] diz:
senti como se não tivesse namorado tanto tempo...
** diz:
vocês ficaram?
[***] diz:
não...
[***] diz:
mas eu o vi e ele estava lá e eu também... e não senti muita coisa vendo ele....
** diz:
entendo exatamente
** diz:
você se distanciou da fantasia, quando ficou longe dele
** diz:
da fantasia que criou em torno dele
** diz:
e, agora, de longe, é possível ver o que é, de fato, menos fantástico, menos incrível, mais humano, mais meio-termo, menos príncipe
[***] diz:
é estranho não é? quando a magia se vai e a pessoa real é tão longe da pessoa que você amava...
** diz:
eu acho uma coisa:
[***] diz:
é tive bastantão tempo longe...
** diz:
nós, meninas-de-contos-de-fadas, não nos apaixonamos por pessoas, mas pela possibilidade de fantasia que as pessoas podem oferecer. ou pela capacidade que elas têm de receber a sua fantasia.
** diz:
amamos mais a criação de um presente lindo do que dar o presente à pessoa.
** diz:
é o fazer, o criar, o inventar...
[***] diz:
é encontrei uma fantasia de curta duração...alguém que me disse que quando danço é como se eu flutuasse no ar...
** diz:
e, assim, todos os que se habilitam a receber nossas fantasias, todos os que aceitam encenar contos de fada, são possíveis amores, possíveis namorados.
[***] diz:
eu gosto de coisas assim... se é muito real... é pouco encanto...
[***] diz:
e pode ter fantasia na realidade.. só que nem todos conseguem ver dessa forma... o real é meu trabalho todos meus amigos fazem parte de minha fantasia...
** diz:
o _, por exemplo. nunca foi poético, fantástico, incrível. mas, enquanto estive perto, era meu príncipe particular. ria das minhas piadas, fugia de mim em corridas desenfreadas porque sabia que eu iria morder forte. e, de fato, quem fazia a fantasia era eu. ele estava lá, como um personagem meu.
[***] diz:
os meus amores não devem ser diferentes....
** diz:
aposto que acontece com você.
[***] diz:
é no fim o _ que namorei era um personagem que entrou no meu conto de fadas enquanto durou... a poesia que eu via era porque deixava ela existir... até quando terminou... eu demorei para tirar ele do conto que as fadas já tinham deixado de voar...
** diz:
de repente, não sabemos mais se a figura amada é o cara ou a boa história que ele pode proporcionar. veja, é tênue: o cara se transforma em personagem de uma história sua, criada por você. e, infelizmente, nos últimos casos, ele não foi mais que um personagem seu, que envelheceu no papel e abandonou a peça.
** diz:
que ruim, não?
** diz:
deixa a gente amarga...
[***] diz:
que lindo... é uma conversa poética.. pode virar texto.... mas não deixamos de ser poéticas...
** diz:
é de se pensar se vale a pena construir outro castelo, convidar outro personagem para o baile...
[***] diz:
mas o preço que pagamos é ao longo de nossos livros juntarmos personagens preto e branco de uma aquarela desbotada com o correr dos dias...
** diz:
o que é raro, muito raro, eu penso, é que o moço, o namorado seja, de fato, criador da fantasia. como se o amor fosse uma peça de teatro, um livro de prosa, escrito a quatro mãos.
[***] diz:
e alguém que continua a ler e reler a mesma história por mais tempo..
** diz:
sim
** diz:
entristece saber que eu sempre levarei a lona para o circo, os tijolinhos do castelo, os lençóis de algodão para o ninho.
[***] diz:
terei eu quantos personagens? serei eu quantos personagens em meu próprio conto de fadas?
** diz:
me entristece demais saber que eu sempre vou inventar tudo e inventar mais e mais até que não haja mais o namorado, o moço real, mas apenas meu príncipe, uma caricatura.
[***] diz:
é serei eu sempre que danço enquanto flutuo.. acho que é bom fazer parte do nosso mundo por um tempo... mas as pessoas não poéticas não conseguem ser alegres sempre...
** diz:
isso.
[***] diz:
e para mim, simplesmente não faz sentido desligar a música antes do felizes para sempre..
** diz:
os moços, os moços que são promovidos a príncipes, querem beber com os amigos mais do que gostaríamos, querem dormir quando chegam em vez de preparar um leite gelado batido com toddy. querem dormir até tarde e não fazer seu café da manhã. não trarão flores nunca. nunca. você terá de comprá-las. você, a autora do continho de fadas.
[***] diz:
o meu novo enredo tinha data para o fim.. e mesmo assim me joguei no morro dos ventos... mesmo assim dancei... dormi nos braços doces de alguém que quer estar perto e não vai estar...
[***] diz:
é eu fazia coisas bonitas....
** diz:
mas há um felizes para sempre? penso que até inventamos o "para sempre". inventamos também o "felizes". o amor, eu ando dizendo, é uma quina, uma esquina, um cume. dá-se no instante mínimo de um olhar, um gesto, e, então, repete-se apagado, opaco, uma farsa, uma réplica.
[***] diz:
um amigo real disse que eu fiz demais... que eu lutei mais do que tudo com as correntes... uma luta solitária... por algo que as fantasias fingem que vale a pena....
** diz:
fazia, aposto que sim. inventou tudo, com criatividade e gentileza. inventou a cena, a história, o contexto. fez um baile todo. o príncipe aplaudiu, dançou, riu, bebeu e, por fim, partiu.
** diz:
fiz isso também. lutei como uma boa princesa corajosa - e perversa - dos livros de contos de fada. lutei por algo que não existia, que eu inventei e que, por birra, não queria deixar de ter.
[***] diz:
sim foi a triste percepção do fim. nem triste. por isso triste. foi o realizar o real que entendi. que quando a mocinha esquece o príncipe também soa triste. até mais do que sofrer de amor
** diz:
não, não é mais triste. até você cansou da historinha, não?
[***] diz:
engraçado como esquecer dói. o estranhar alguém que viveu tantos dias frios e quentes. que dançou seu corpo de todos os lados. não surtir mais o efeito inebriante da paixão e do tremer do corpo.
** diz:
esquecer, o processo, é ruim. mas constatar o esquecimento é doloroso, angustiante.
[***] diz:
sim a história ficou com um enredo intediante.. fosco. borrado até diria eu
** diz:
espiei de longe seguidas vezes um ex-príncipe. e pensava: "o que há em mim que não tenho as pernas trêmulas?" eu havia inventado. inventei até a tremedeira. e, naquele instante, não havia invenção: o desconhecê-lo era real. por ser real de verdade, é um nocaute.
[***] diz:
como um passado que eu li de outra pessoa. já não pareço eu no meu passado. aquela história já não é minha. nem dele nem de ninguém. ficou no tempo. onde as mãos de outrem ou mesmo nossas não tocarão jamais..
** diz:
nunca mais, rô. nunca mais.
** diz:
é muito mais real que "para sempre".
** diz:
e, de fato, um nunca mais é reconhecer que, ok, nunca mais será o mesmo conto de fadas, mas quem disse que não posso inventar outro?
(...)
[***] diz:
porque contos de fadas quando se tenta refazê-los ficam feios, sem graça... por isso voltar para príncipes já sapos nunca dá certo...
(...)
[***] diz:
porque as novas cores, as novas falas, o novo cenário sempre deixará a desejar da beleza de algo que foi e já não é...
** diz:
pior que isso: sem nenhuma invençãozinha que o valha...
(...)
** diz:
fica de aprendizado: fantasiar em dupla. quando ficar fantasia solitária, abandonar a história
(...)
** diz:
melhor deixar tudo calmo, sereno
** diz:
silêncio
(...)
mas não é só isso...
Desculpe usar a conversa...
Mas foi a única vez que consegui por em palavras algo como o passado...
assim tão no lugar dele.
Obrigada por existir Fada. Do mundo mágico do possível!
Alegria agora, por favor. Precisa de mais brilho em seu sorriso!
Vamos voar com as asas que nos foram dadas pela magia de acreditar na vida fantasiosa.
[fica bem] sempre
postado por: CHAFFIC FRIEND 12:49 AM
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