Dia... que a Borboleta posou no psiquiatra...
Uma das piores coisas que podem acontecer com uma pessoa é um ano de 2007. Corrijo, um ano 2007 como o meu. Se fosse resumir meu ano pareceria quase uma letra do Legião Urbana em sua fase mais deprê, ou aqueles filmes que tem um infeliz com quem acontecem todos os infortúnios.
Um colapso nervoso, breakdown no meio do nada me levou à casa de dois andares azul. Meus pais, eu, e todo o resto que me rodeiam no momento acharam que era hora de procurar ajuda profissional... já que somente minha força interior não tem feito muito por mim.
Meu horário estava marcado para as 16:00h então deixei minha casa 15 minutos antes desse horário e sai correndo feito louca para a clínica. Parei o carro do outro lado da rua sempre sem movimento, mas que justo nesse dia parecia a Av. Paulista. “EMPURRE” e foi o que fiz. Parecia uma fila de P.S. de tanta gente que estava nessa sala de espera onde atendem 3 médicos e um psicólogo. Boa tarde, tenho horário com o Dr. Osmar. Ah, sim... é um encaixe... é só sentar e aguardar. Peguei umas 3 revistas e fui procurar algum lugar vazio naquela enorme sala de espera.
Esqueci que esse doutor é Psiquiatra e Dependentes Químicos. Então no caminho até o assento todos olham para você imaginando o que te levou até ali, uns amigos cochicham, olham para os ossos no meu colo... e pensam quase em voz alta (dependência química, certeza) a mulher com a filha ao lado deve ter pensado (esquizofrenia) e assim por diante... parecem que todos procuram amenizar seu sofrimento escolhendo uma tristeza alheia que levou mais um para entupir aquele lugar. Umas 10 revistas depois e todas as encaradas do mundo... a moça me chama.
Roberta, pode me acompanhar. Aquela escada parecia tão grande quando as escadarias que levam ao Cristo Redentor... e acho que essa alusão é o que realmente a gente espera. Talvez no topo esteja a salvação dessa dor que estou sentindo.
Abre a porta um senhor bem afeiçoado (bonito mesmo) uns 50 e poucos anos e olhos cristalinos de tão azuis desses que são difíceis de encarar. Boa tarde Roberta, como está parecida com sua mãe. (Droga! Ele me conhece!) Nossa lembro de você muito pequena. Nisso meus olhos já tinham percorrido toda a sala apavorada por não encontrar um divã... e sim uma mesa como qualquer escritório ou consultório, duas cadeiras ao lado uma da outra. E atrás de nós quatro cadeiras alinhadas. (Deve ser uma terapia em grupo para os dependentes pensei.)
Sentei sem conforto algum bem no começo da cadeira, como faço quanto estou nervosa e pouco à vontade. Me diga, o que está te afligindo? Engulo seco olho para os lado, para a minha bolsa, para as mãos do doutor e começo...
Bom sinto uma dor que parece não ter fim. Esse ano todo foi muito difícil para mim... morei fora por quase dois anos, voltei a morar em Cascavel, cidade que não gosto muito (ele concordou disse também não gostar.), meus avós passaram o início do ano internado, minha cachorrinha teve que ser sacrificada, uma prima minha está com câncer tem 26 anos e tirou o útero e tudo mais, o filho de um amigo da família morreu em um acidente de moto e meu namorado de três anos terminou comigo por telefone. UFA! Despejei assim tudo porque não queria comentar todos os fatos isoladamente e ainda deixei alguns para trás, porque ficaram relativamente pequenos no meio disso tudo.
Ele olhou para mim e disse... Nossa é muita coisa para um ano só. Acho natural estar assim. (com o olhar me dizia NOSSA ESSE SEU ANO FOI UMA BOSTA MESMO!!!) Mais um pouco acho que ele abriria um Wisky e me serviria uma dose tripla sem gelo por favor.
Então disse as formas de tratamento, definiu os três tipos básicos de depressão: biológica, psíquica e esqueci o nome da terceira, relacional, causal, algo assim mas era com “e”. Descobri que duas tenho certeza, uma são coisas que trago desde a infância, outra é pelo tanto de coisa que aconteceu comigo e a terceira pode ser que eu nem precise de remédio mesmo. Ele então me encaminhou para uma psicoterapeuta. Que ligarei amanhã... falou bastante comigo disse que entende o meu sofrimento
mas que ele pode me ajudar a passar por tudo isso junto com a psicóloga. Mas mostrou a urgência dos fatos.
Sai dali pensando nas coisas que ele falou e nas que deixou subentendido.
Pensei em mim pela primeira vez ao sair dali.
E vi que tenho que me ajudar que existem mesmo pessoas que me amam e que nem sempre são as que a gente acredita que amam a gente.
Estas normalmente somem quando o cinto aperta, porque é mais fácil.
O fato é tirar de dentro de mim as coisas que me fazem sofrer utilizando exatamente o que está lá dentro.
A ajuda é só para definir o que deve ou não permanecer ali. Como dizem os sábios chineses:
“para beber vinho em uma xícara cheia de chá, antes é preciso tirar o chá.”
PS: esqueci de dizer.. não havia nenhum busto sequer de Freud. E olha que eu procurei um monte. Rs...
[eu hoje acordei tão só mais só o que eu merecia. eu acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia]
postado por: CHAFFIC FRIEND 6:13 PM
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